Texto base: Atos 7:54-60
Estevão. Sempre que ouço esse nome me lembro da história de sua vida e do exemplo cristão que ele foi. Sua história como um todo já é maravilhosa e exemplar, mas momento de sua morte, na minha opinião, supera sua vida. E, pode parecer estranho ou sombrio, mas esse momento, o momento de sua morte é o que mais me toca. Sabe por quê? Vamos descobrir juntos.
Primeiramente, é maravilhoso pensar que a fé de uma pessoa, pessoa como eu e você, chegasse ao ponto de, no momento de sua morte, a pessoa ser capaz de estar feliz, porque ele vê “os céus abertos e o Filho do homem, em pé à destra de Deus”, prontos para recebê-lo. Você já imaginou essa cena? Já imaginou ver Jesus Cristo e o próprio Pai com os céus abertos à sua espera? Eu imagino que a sensação seja indescritível. Se fosse só isso já seria motivo suficiente, mas não para por aí.
Ao continuar a leitura desse trecho da Palavra, podemos observar que Estevão faz dois pedidos. O primeiro ele faz enquanto era apedrejado, ou seja, enquanto as pedras batiam em seu corpo, e o machucavam gravemente e lhe causavam, com certeza, uma imensa dor, ele diz “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” Ou seja, nem em momento de profunda dor física ele se revolta contra Deus ou murmura. Ele simplesmente entrega sua alma a quem ela já pertencia.
Então, com as forças já quase esgotadas, ele se ajoelha e em seu ultimo ato humanamente cristão ele pede: “Senhor, não lhes imputes este pecado” e dizendo isso ele adormece. No momento em que ele não consegue mais resistir, ele não pensa em vingança, ele não pensa na morte dos que o apedrejavam, ele não pensa sequer em odiá-los. Ele pede que Deus não ponha sobre a vida deles o peso de sua morte. Ele os perdoa. E não apenas isso, ele os perdoa e pede pra que Deus simplesmente não lhes culpe por sua morte. E lendo isso eu penso, comparando, em como é difícil pra nós quando precisamos perdoar alguém por coisas tão ridiculamente bobas.
A ultima coisa, mas não menos importante, que podemos ver nesse trecho como um todo, e essa ultima coisa é a que eu acho mais linda, é o fato de Estevão, sabendo que o que o aguardava era a morte, não deixou de falar o que Deus colocava em seu coração. Ele não se negou. Ele não negou o que fazia. Ele não negou para quem ele vivia. E sempre que eu leio esses versículos, eu me lembro de duas coisas. A primeira é que eu vejo a história de Estevão como um exemplo, mesmo que parcial, do que Paulo mais tarde escreve em sua carta aos Romanos (Rm 8:18). Ele diz “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” E eu vejo que para Estevão a dor física que ele enfrentava não chegava nem aos pés do que ele logo vivenciaria na glória. A segunda coisa que me lembro é de quando C.S Lewis, em seu livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz” retrata um tipo de crente, de acordo com o diabo Fitafuso, abominável. Aquele tipo medíocre capaz de morrer com um sorriso no rosto porque sabe o que o aguarda depois da morte.
Que Deus nos ajude a ser um pouco mais como Estevão, capazes de perdoar e de ter uma fé que nos dê a certeza e a confiança de que morrer não é nada se estivermos em Cristo.
